"Por isso, digo-vos: não tenhais medo de construir a vossa vida na Igreja e com a Igreja! Sede orgulhosos do amor a Pedro e à Igreja que lhe foi confiada. Não vos deixeis enganar por aqueles que desejam opor Cristo à Igreja! Só existe um rochedo sobre o qual vale a pena construir a própria casa. Esta rocha é Cristo. Só há uma pedra sobre a qual vale a pena fundamentar tudo. Esta pedra é aquele a quem Cristo disse: 'Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja' (Mt 16, 18)".

Papa Bento XVI.
Discurso durante o encontro com os jovens no parque de Błonia. Cracóvia, 27 de Maio de 2006.

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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O meu sacerdócio... ternura de Deus


Hoje público a homilia da celebração dos 50 anos de sacerdócio do caríssimo Padre Manuel Escribano Rodriguez, sf. Pe. Escribano foi superior Delegado no Brasil da Congregação dos Filhos da Sagrada Família.

Rezemos por nosso amado Padre Escribano, para que Deus lhe dê o descanso e glória de cruzar o umbral da esperança e ser acolhido por Cristo nos Céus.

Sou sacerdote e não sei por que sou... “Pela graça de Deus, sou o que sou”...

Não tenho muito para explicar este mistério... Tenho tudo para agradecer... Sou sacerdote com e para Deus e para o povo de Deus...

Meu sacerdócio o tenho vivido como os Reis Magos: “Como sacramento do caminho”, para levar as pessoas a Cristo. Tem sido assim desde o 9 de julho de 1960, quando na Basílica do Sagrado Coração de Jesus, na Praça Navona, Roma (Igreja dos espanhóis), pela imposição das mãos do cardeal Luigi Traglia, Vigário do Papa bom, João XXIII...

Desde aquele dia tenho recorrido tantos caminhos... tantos quilômetros... encontrando o povo de Deus...

Hoje, e aqui, faço minha “confessio laudis” por tanta graça... O sacerdócio me colocou na vida mesma da Igreja... para me sentir envolvido na alma da mesma salvação.

O meu muito obrigado a diocese de Roma, que me acolheu sem reservas... A Argentina... Ao Brasil e Curitiba, neste cantinho do Bom Retiro Schafrer... Aos bons pastores Dom Pedro Fedalto... A Londrina... com o grande catequista Dom Albano, pela deferência que me formasse pároco em Cambé... a União da Vitória, com Dom João Bosco, na paróquia do Rocio.

A minha Congregação, mãe boa e fiel, que me apresentou para ser ordenado. E neste muito obrigado estão incluídos e presentes, meus irmãos de Congregação, porque em primeiro lugar sempre me senti religioso e depois sacerdote. Os Superiores Maiores: Martín Millet (que me recebeu). Magin Morera (meu formador e pai). Salvador Massip (que me enviou nas terras sul americanas), José Maria Blanquet (que me confiou e plantou na terra mãe do Brasil)... Meus irmãos de todas as horas: Pe. Gabriel, Pe. José Luis, Pe. Ettore e os caríssimos padres desta Delegação e os irmãos religiosos destas terras e os vocacionados, como a melhor herança de minha vida.

Obrigado a todos vocês, por comunicar-me força, entusiasmo, confiança. Porque demasiada confiança em si mesmo e a presunção nos tornam insensíveis para a novidade divina.

Nazaré é a casa de todos!

O povo de Deus, este povo, é o meu presente. Seu testemunho e sua fé, sua vida vivida e desafiada com alegria e entusiasmo, tem-me dado capacidade e compreensão nas minhas debilidades. Ensinando-me que para ser homem de Deus é preciso ser homem humano. Porque o verdadeiro e excepcional é o verdadeiro homem comum, simples.

Estas vivencias procurei sempre levar nos anos de ensino no ICE, no Studium Theologicum, na PUC, centros queridos, nos quais jamais me resultou complicado unir razão e fé, e afirmar que Deus não é um código de leis, mas uma pessoa. Ao primeiro não podemos confiar um só dia, no segundo podemos colocar a vida inteira, com ou sem títulos acadêmicos. Porque o primeiro nos torna mais gente, mais humanos, mais nazarenos.

Faço uma declaração:

Da minha ordenação ficam comigo lembranças, porque foi uma reviravolta na minha vida.

Elevo um hino de louvor aos meus professores, sérios, exigentes e vigilantes, não somente por serem intelectuais brilhantes, de fama internacional, mas por serem, ao mesmo tempo mestres de vida na formação sacerdotal.

A Basílica de São Pedro, rocha da minha fé. A de São João in Laterano, como mãe e cabeça de toda Igreja. A de Santa Maria Maior, coração mariano de minha vida, ao lado da caríssima nossa casa, a igrejinha de Santa Bibiana. A de São Paulo fora dos muros, modelo e escola de minha predicação.

FICA: o ver-me estendido no chão, como símbolo de minha pobreza.

FICA: a ladainha dos santos... todos na minha ajuda, para não estar sozinho.

FICA: a imposição das mãos do Cardeal Luigi Traglia.

FICA: o consagrar, o pregar, o perdoar.

“Não os chamo servos, mas amigos. Fazei tudo em memória de mim”.

Consagra... na minha memória. Prega... na minha memória. Perdoa... na minha memória. Ama... na minha memória!

Minhas muletas sacerdotais

Conto esta historia. A das minhas muletas sacerdotais.

A ordenação é igual para todos. O viver a ordenação faz a diferença. Cada sacerdote tem suas “muletas”, seus “leiv-motiv” ou suas manias, dos quais se serve nos momentos de necessidade. Declaro as minhas sem maior preocupação.

Primeira Muleta: o amor a Igreja.

A Congregação tem-me apresentado a ela para que operasse em mim esta realidade: “Você será chamado sacerdote do Senhor. Ministro de Deus será chamado. Quantos verão você deverão reconhecer que pertences a estirpe do Senhor. O Espírito do Senhor estará sobre você”.

Isto se realiza dentro da Igreja. Eis aqui porque meu amor a Igreja. Amo a Igreja como um filho ama sua mãe, que lhe da à vida. A encontro linda e digna de amor, embora tenha algumas rugas.

Amo a Igreja, porque me gerou no batismo, me fez crescer com sua palavra e me perdoou e perdoa meus pecados.

Amo a Igreja, porque estou convencido que ela não nasce de conseqüências ou interesses humanos, mas é presente de Deus, fruto da iniciativa divina.

Creio na Igreja, como obra de Deus, não de um homem.

Creio na Igreja, como mistério da tenda de Deus no meio de nós. A Igreja não se inventa, não se produz... se recebe. É presente que se recebe num estilo de vida contemplativa e eucarística.

Tenho certeza que ela me alimenta com o Pão do Céu... Pão nosso de cada dia. Forte e fresco de vida. Nutriente para toda fome.

Sonho a Igreja, como missão. Como Povo de Deus a caminho. Como povo da Caridade e testemunho, da esperança que não engana, não ilude... Igreja do diálogo.

Num mundo globalizado: amo e creio na Igreja da Justiça e da paz.

Deus esta envolvido na minha história e na história de todos.

Eis minha primeira muleta para todos os momentos da luta e da duvida, que não são poucos!

Salve, Igreja mãe boa! A de Roma e suas extensões do Brasil: Santa Maria Goretti, Francisco Xavier, Cristo Rei, Santo Antonio, Nossa Senhora dos Remédios, Rocio, Santa Cruz... Todas!

Minha segunda muleta: O amor a Congregação.

Este é meu bilhete a mãe Congregação: a sagrada Família te abençoe, mãe Congregação!

No teu colo de mãe, das tuas mãos e do teu seio tenho aprendido o necessário para viver e ser gente.

Tu me ensinas, dia a dia, a lei de Cristo. Colocas nas minhas mãos o Evangelho e me ajudas a entende-lo. Na tua história e na tua vida me portas ao mistério divino na doutrina e na liturgia.

Tu me ajudas a descobrir o mundo interior do meu caminhar. Tu és para mim, a mãe fecunda de tantos filhos, que se tornaram meus irmãos.

Mãe congregação, venerada e venerável, paciente e educadora, vigilante e amorosa, sabia e dolorosa, forte e humilde, que me conduzes a Sagrada Família, teu centro de vida e do ser e existir, da tua pastoral na família, na juventude , nas crianças,...

Mãe congregação, tu ES a protetora e o escudo deste teu filho e do seu sacerdócio. Tu és a amada de Deus e o amor de quantos moram no teu corção de vida e de historia. O teu sentido sobrenatural, até nas horas mais difíceis, não declina. Minha noite, graças a você se transforma num dia luminoso e azul.

Conhecer tua história e teu caminho, tua mesma humildade e até debilidade, é graça, para jamais ter inveja de outras mães.

Mãe boa, única, grande na pequenez, és verdadeira força no meu caminhar até nas terras continentais e fecundas do Brasil verde e amarelo. Mãe dos nossos vocacionados e do nosso futuro na Igreja e no mundo.

Nós temos certeza, mãe congregação, que você não nasceu unicamente como fruto de um plano humano, mas tem surgida uma inspiração e iniciativa de Deus, como o verdadeiro amor de todo lar, inspirado ao nosso santo Padre São José Manyanet.

A Igreja reconhece esta tua presença ativa do Espírito Santo, fundamento de nossa esperança e força de nossa fraqueza.

Filhos da Sagrada Família, Jesus, Maria e José, pois assim somos. Sintetiza a natureza, o carisma, o ideal e a missão... Manifesta e expressa com sabedoria quem somos e para onde vamos.

Nós os filhos da Sagrada Família, somos testemunhas e apóstolos do Mistério de Nazaré... estamos unidos a Igreja Universal. Professamos reverencia, amor e obediência ao Sumo Pontífice. Participamos do mistério de Cristo, mestre, cabeça, padre e mediador. Somos ministros da palavra e dispensadores de Deus, a partir da Eucaristia e do perdão.

Esta é segunda muleta... o caminho foi o que foi.

O sentido da providencia.

A vida vive da providencia. A providencia passa pela realidade da história e das pessoas no lugar donde se mora, do qual, além de uma casa, fazemos um lar.

Nesta cidade sorriso, das flores e da cultura, dos meus 50 anos sacerdotais, tenho vivido 25. Não a escolhi, não a procurei. De nada posso me queixar, porque me precederam e acompanharam: o querido servo de Deus – primeiro pároco – Pe. Magin Morera e pastor bom, generoso, dinâmico e simplesmente humano, Pe. Gabriel Perazzetti. E jamais me faltou o carinho deste povo de Deus, em Curitiba.

Curitiba, mãe da qual não é fácil falar.

Curitiba, que nunca ama bastante e sempre ama demais.

Curitiba, mimou meu sacerdócio até quando eu errei.

Curitiba, me arrasou quando eu estava arrasado.

Curitiba, que não é só para ver com a inteligência, mas com os olhos do coração.

Parafraseando Alice Ruiz, se digo de Curitiba que é moça bonita, limpa, educada, bem vestida e perfumada... vocês dirão de mim, que sou um filho apaixonado. Terão razão.

Se afirmar dela que tem andar duro, ar emburrado e frio pode parecer que sou filho ingrato.

Vejam com seus próprios olhos esta cidade... mas tenham cuidado que pode acontecer como comigo: ficar encantado com ela. E aí é para sempre, porque você pode mudar de cidade, mas ela, como mãe, nunca vai embora.

Não esqueçam minha gente querida, que como diz José Aguiar: “uma das características daqui é não ter coisas daqui, e por isso sentir-se bem aqui. Porque de repente... tudo faz sentido aqui”.

Curitiba – assim como Cambé - tem sido para mim cidades da Providencia. Desejo ser concreto. Os fiéis de Santa Maria Goretti... as Irmãs Missionárias Filhas da Sagrada família, com Madre Nuria Escort em primeira fila, as Irmãs da Divina Providencia, desde o bairro Ahú até Munster e Enssen na Alemanha... Minhas primeiras salas de portões, nas praças Tiradentes e Osório... A Gazeta do Povo, minha bíblia de cada dia (porque a outra é de sempre), com seus escritores brilhantes: o mineiro, caríssimo e saudoso amigo José Wanderley Dias (Sobaco ilustrado), com a vista do meu ponto, o grande médico Moises Paciornik, escritor do diálogo rápido e preciso... o bom pastor Dom Pedro Fedalto, com sua agenda de vida e sua memória feliz da história da vida, e o seu bispo auxiliar Dom Albano, depois em Guarapuava e Londrina, com sua rica catequese e suas parábolas lindíssimas... Os ricos curitibanos, as ruas, os monumentos, os jardins...

Pe. Manuel Escribano Rodriguez, sf

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